Já tenho saudades do FRIO de NYC


Todas as vezes que vou à Nova York sinto como se a coisa fizesse muito bem para mim, nesse último tempo que fiquei lá, embora tenha engordado um pouquinho por conta da comida gordurosa demais e falta de refrigerantes light, algumas coisas boas aconteceram. A primeira é que nosso inglês sempre dá uma melhoradinha, né? Ficar um mês se comunicando, comprando, vendo tevê no idioma ajuda a gente andar para frente, fora que alguns medos se vão. Antes, as primeiras vezes que fui ao EUA me dava uma ansiedade de entender e ser compreendida, muitas vezes ensaiava frases em casa antes de me expor, coisa que não acontece mais, agora é tudo mais natural, embora a comunicação nos restaurantes indianos seja, digamos, mais complicada, que sotaque é aquele? Minha mãe também evoluiu nesse aspecto agora tenta se comunicar ao invés de me chamar.

Também vi que embora estivesse num dos lugares mais lotados e mais turísticos de Nova York, ou seja, a Times Square, não era tão invisível o quanto achava que era. Por exemplo, um dia um moço, desses que vendem busstour na rua me parou e me perguntou de onde eu era, já que me via a tanto tempo na Times. Também ficamos conhecidas, minha mãe e eu, nos restaurantes onde mais freqüentávamos o badalado Ellen’s Stardust Diner, e dois mais intimistas na 9ª avenida, o Bossa Brazil e o New Bombay, nesses últimos já se lembraram de nós na segunda vez que fomos. Na loja de relógio em frente ao hotel também, isso porque só fomos duas vezes lá. O mais inusitado foi talvez no Madison Square Garden, no jogo do Rangers, o rapaz da revista da entrada uma hora passou por mim, quase no final do jogo, e disse: -Hey, você é a brasileira, lembro de ti. E eu avoada que sou não me lembrava da cara dele. Portanto, não se iludam que do outro lado do hemisfério ninguém vai guardar a sua feição. Ah, e teve o episódio de ter encontrado um leitor no blog no meu hotel também, né? Quem não se lembra? Se não lembrar, clique aqui.

No mais, amo aquele lugar, aquelas calçadas planas, quase sem buracos, onde encarar um sapatinho de salto não é nada, digamos, sacrificante e pode ser muito elegante, gente para pequenos percursos, como a ida a um restaurante, por exemplo. Amo andar pela Rua 34, onde tem o comercio mais agitado da cidade e mais ao meu alcance, mas amo mais a Rua 51, onde tem meus lugares mais amados de Manhattan, por exemplo, com a 9ª avenida tem o restaurante New Bombay, meu indiano favorito, com a Broadway o Stardust, com a 6ª o Radio City Music Hall e com a Madison a Hallmark a papelaria mais fofa de toda Manhattan. A 51 também é uma das ruas favoritas de mamãe, ela com a 5ª avenida além de ter a H&M, tem uma igreja católica muito linda, a de São Patrício. Se fosse escolher uma rua, qualquer, para morar, seria a 51. Alias, ia me poupar muito tempo também.

No mais, o balanço foi bom, só o bolso que ficou um pouco defasado, né? Também pudera um mês gastando em dólar, comprando, é impressionante como as coisas nos EUA é feita todinhas para incentivar o consumo. Sorte que eu vim de primeira classe e na primeira classe além dos mimos de ter um jantar com petisco, pãozinho (e frances, que saudades estava) alada, prato principal (que a gente pode escolher num cardápio de verdade), tabua de queijos, sobremesa (claro que não consegui comer tudo), mais conforto, poltrona mais largas e que deitam totalmente, bolsinha com coisas para cuidados e conforto, fone, cobertor e travesseiro especial, mas a principal característica é o fato de poder trazer 3 malas, a gente não pega fila no embarque e as malas são as primeiras a saírem na esteira. Eu trouxe 3 malas cheias e o pior, ainda consegui deixar coisas para meus pais trazerem, já que eles ainda estão em Manhattan. Mas passei o maior sufoco já com as malas em punho. Acredita que aqueles carrinhos de levar malas não agüentam 3 malas cheias. Coloquei minhas malas num carrinho, e o mesmo não andava para frente. Depois, troquei, achando que o carrinho estava quebrado. E de novo! Só andava de ré. Então a solução foi andar de ré, nas filas, na polícia federal, no desembarque até o táxi. Gente do aeroporto, façam um carrinho especial para quem esta viajando sozinho e tem muita bagagem, né? Eu fiquei louca atrás de um carregador, mas nem isso achei.

Ontem fizemos ma reuniãozinha aqui em casa, só com gente bacana, tipo uma festa de boas vidas, teve o Gui, a Dinda, a Laís (que chegou no mesmo dia da França), o Leo, a Ferd, o Lineu e a Edneusa, foi bom para dar umas risadas, matar a saudades e colocar a conversa em dia, afinal de contas, ninguém é de ferro, né? Estou morrendo de saudades da mamy qe está passando o maior frio nos EUA, e hoje, ah, hoje é oo nosso Jonathan’s Day, mas minha mãe vai sozinha.

Um beijo e só me convidem para programas na faixa nos próximos meses.

Sobre Debora Wolf

Debora Wolf é formada em moda, pós-graduada em design gráfico e tem duas gatinhas a Kessy e a Ana Magali. Mora em Santana de Parnaíba, mas já morou em Florianópolis, gosta de ler escritores russos e indianos, estuda inglês e deseja morar noutro lugar. Vive mudando de opinião, já foi punk, hippie, punk de novo (e fez uma tatuagem punk rock), capoeirista, nadadora, surfista quando criança achou que seria bailarina, na adolescência tirou algumas fotos como modelo, mas descobriu ser muito tímida para posar. Hoje em dia sonha em ficar para sempre com seu namorado. Ama viajar, mas não gosta de comer nas viagens porque é vegetariana e sempre desconfia da higiene dos restaurantes. Tem mania de escovar os dentes e passar filtro solar. Quando tem um tempo livre escreve para o blog, sempre imaginou que seus principais leitores seriam os seus amigos, mas hoje em dia recebe gente que nunca pensou que conheceria.
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