Vou dizer uma coisa para vocês. É muito difícil deixar quem a gente gosta na rodoviária. Não tem nada incomparável com a dor da separação. Tudo bem, não será para sempre, mas a dúvida de quando vou reencontrá-lo, só de pensar, me faz morrer de saudades.

Quando o coloquei naquele ônibus, com o pé engessado engoli o pranto, já havia me debulhado em lágrimas duas vezes antes no mesmo dia, só de pensar em lhe dizer tchau. Ele é incrivelmente apaixonante, fofo, gentil, simples, mineiro, coloca um monte de “iiiii” nas palavras e tem aquele olhar igualzinho do gato do Sherek que me faz sorrir todas as vezes que o vejo.

Ao lhe dar o último beijo meu coração ficou ali com ele. Caminhei sem olhar para trás, em instantes lagrimas quentes brotaram copiosamente de meus olhos. Foi estranho cruzar todo o terminal do Tiete, porque sua plataforma de embarque estava bem distante do estacionamento, chorando. Todos me admiravam sem o menor pudor. Paguei o tíquete do carro e o moço não me disse nada, acho que já está acostumado com despedidas dolorosas, afinal de contas ali é um terminal rodoviário cheio de bons momentos, na hora do reencontro e outros nem tanto, na despedida.

Entrei em meu carro, dando graças a Deus. Outrora senti-me cruzando um imenso campo de batalha e meu carro significava uma trincheira para eu conseguir ganhar mais forças. Ali estava protegida de todos os olhares curiosos. Dirigi quase que sem rumo pela tão louca Marginal Tiete, que por conta das reformas deixa a gente confusa e meio perdida. Mudava de pista sem perceber. As luzes de alerta de reforma ofuscavam minhas vistas. Eu guiava inesperadamente devagar demais. Ouvi algumas buzinas e levei alguns faróis altos na nuca, mas nesse instante nada importava. Ele havia partido e levado consigo parte de mim.

Ele me ligou algumas vezes, mas não atendi. Minha voz estava afônica, embebida no choro e para não chateá-lo preferi que fosse assim. Meia hora depois cheguei em casa, ainda não havia conseguido controlar minha lamúria. Mamãe, super solidária a mim, chorou comigo e disse que adorou conhecê-lo.  Meus olhos ainda ficam mareados todas as vezes que me perguntam dele e eu digo que já partiu.

É o amor às vezes tem dessas.

Sobre Debora Wolf

Debora Wolf é formada em moda, pós-graduada em design gráfico e tem duas gatinhas a Kessy e a Ana Magali. Mora em Santana de Parnaíba, mas já morou em Florianópolis, gosta de ler escritores russos e indianos, estuda inglês e deseja morar noutro lugar. Vive mudando de opinião, já foi punk, hippie, punk de novo (e fez uma tatuagem punk rock), capoeirista, nadadora, surfista quando criança achou que seria bailarina, na adolescência tirou algumas fotos como modelo, mas descobriu ser muito tímida para posar. Hoje em dia sonha em ficar para sempre com seu namorado. Ama viajar, mas não gosta de comer nas viagens porque é vegetariana e sempre desconfia da higiene dos restaurantes. Tem mania de escovar os dentes e passar filtro solar. Quando tem um tempo livre escreve para o blog, sempre imaginou que seus principais leitores seriam os seus amigos, mas hoje em dia recebe gente que nunca pensou que conheceria.
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2 respostas para

  1. eu gostaria ver um vestido no computador

  2. Guilherme Wolf disse:

    Por favor, não me ofenda com seus top 10. Eu não me meto nos seus relacionamentos. Seja adulta.

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