
Gosto de dissertar sobre sentimentos, aliás, amo escrever sobre como sinto o mundo e de como me comporto em relação a ele. E dia desses percebi que a mesma coisa pode ser boa ou ruim, o que influi para tais fatores é o lado que nós estamos.
Somos seres extremamente visuais, isso é fato. Às vezes uma construção nos lembra alguma fase da nossa vida, como a lanchonete que tinha em frente da minha escola. Recordo que juntava moedinhas e quando dava um determinado montante, sempre comprava sorvete de cereja. Numa estrada cada placa, cada casinha, restaurante ou posto de gasolina significa uma etapa alcançada, estamos mais perto de nosso objetivo final, que é chegar a algum lugar. E dependendo do lado onde estou a mesma paisagem por ser doce ou completamente triste.
Todas as vezes que vou a Varginha, por exemplo, crio uma expectativa. A primeira é reencontrar alguém que amo, que fiquei cinco longos dias sem ver, e como dói a saudade. Também gosto da atmosfera da cidade, bem verdinha e com paisagens lindas. Embora seja extremamente cosmopolita, me agrada o clima de cidadezinha de interior, o cheiro é bom, as pessoas caminham pelas ruas mais despreocupadas e com menos pressa. Quando as lembranças se aproximam, quando vejo aquele restaurante desativado, a estatua do Rei Pelé na entradinha de Três Corações sinto um alívio, venci a estrada longa e dolorosa. Cada pedacinho dali em diante me lembra ele. E a cada segundo estou mais perto e entusiasmada. O ápice da minha felicidade, tirando obviamente o nosso reencontro, é ver a plaquetinha de sinalização indicando um caminho e uma construção bonita que brilha. Isso significa que em instantes vou ganhar um beijo quente e um afetuoso abraço.
No entanto, quando estou voltando para a casa, todas essas paisagens, as mesmas referencias se tornam extremamente dolorosas, eu estou partindo, ainda estou muito distante de onde preciso chegar e meu coração ficará partido por mais uma longa semana.
Lembranças, lembranças…


