Halloween e o preconceito



Não tem festa mais discriminada no Brasil que o Halloween. Muitos franzem o nariz “detesto essa festa americana”, no entanto, esse festejo pagão começou no norte da Europa, e só foi levada aos Estados Unidos anos mais tarde pelos imigrantes irlandeses. Obviamente, a brincadeira foi amplamente divulgada pelos estadunidenses que inclusive comercializaram a comemoração. Aqui no Brasil as escolas de inglês que começaram a disseminar o Halloween, numa forma de inserir um pouco de cultura estrangeira aos alunos.

No entanto, essa turma do contra não se dá conta que as outras festas populares do Brasil, também não são de criação nacional. Por exemplo, o natal. A gente copia a forma do hemisfério norte tanto, que até colocamos neve na árvore de natal, quando aqui é o maior verão, e decoramos nossas casas com o Papai Noel de branco e vermelho que foi criado e divulgado pela Coca-Cola. E a páscoa é tupiniquim? Claro que não! Nem o carnaval, com as mulatas seminuas e suadas são criação nacional, afinal de contas, o carnaval originou da Grécia.

Dificilmente lembramo-nos de uma celebração 100% nacional. Quanto estava no primário a gente fazia uma mega festa na escola para comemorar o dia do folclore nacional, além da festa, estudávamos sobre o tema e fazíamos trabalhos que eram expostos nos pátios durante o festejo. Era o maior barato, no entanto, pouco a pouco essa festa acabou na minha escola. Acho que nas outras também, pois cada vez mais vemos crianças carentes de cultura brasileira.

Hoje no Hallowen aqui no meu condomínio, muitos grupos de crianças e até adolescentes bateram na minha porta dizendo “doces ou travessuras”. E a gente está cansado de saber que eles não aprontariam nada se não tivesse o bendito doce para dar, no entanto, minha mãe não deixa faltar doçuras, porque ela curte brincar com as crianças, principalmente ver as fantasias. As meninas capricham mais, se pintam e tudo . Os meninos em geral usam preto e aquelas mascaras de borracha. Não vejo problema algum em brincar nesse dia de se vestir de bruxa, sair com os amiguinhos pedindo doces. É a maior diversão! Eu quando criança morria de inveja da minha prima que morava em prédio e brincava no dia das bruxas. Na época morava em casa, e as pessoas de casa onde geralmente as pessoas não brincavam disso.

Outra coisa, vejo essa comemoração inclusive como uma forma para estimular a criatividade das crianças. A mãe pode comprar cartolina, imprimir desenhos da internet e pedir para as crianças decorarem a casa para o dia das bruxas. Ia adorar brincar com meus filhos disso.

Pessoas que levam a vida mais leve e de forma mais lúdica, são carregam tantos rótulos, tampouco preconceitos e por isso, são mais felizes.

Feliz dia das bruxas para você também!

Sobre Debora Wolf

Debora Wolf é formada em moda, pós-graduada em design gráfico e tem duas gatinhas a Kessy e a Ana Magali. Mora em Santana de Parnaíba, mas já morou em Florianópolis, gosta de ler escritores russos e indianos, estuda inglês e deseja morar noutro lugar. Vive mudando de opinião, já foi punk, hippie, punk de novo (e fez uma tatuagem punk rock), capoeirista, nadadora, surfista quando criança achou que seria bailarina, na adolescência tirou algumas fotos como modelo, mas descobriu ser muito tímida para posar. Hoje em dia sonha em ficar para sempre com seu namorado. Ama viajar, mas não gosta de comer nas viagens porque é vegetariana e sempre desconfia da higiene dos restaurantes. Tem mania de escovar os dentes e passar filtro solar. Quando tem um tempo livre escreve para o blog, sempre imaginou que seus principais leitores seriam os seus amigos, mas hoje em dia recebe gente que nunca pensou que conheceria.
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4 respostas para Halloween e o preconceito

  1. Mr. Mojo Risin disse:

    o natal é celebrado no brasil, mas veio por conta do “nascimento de Jesus”, que na verdade foi imposto no pela igreja romana pra paulatinamente eliminar a cultura das celebrações do solstício de inverno no hemisfério norte, que é no dia 24 de dezembro. no hemisfério sul, o solstício de inverno é no dia 24 de junho, e a igreja romana pra também mudar as possíveis celebrações “pagãs” abaixo da linha do equador, criou o dia de “são joão” batista exatamente no dia 24 de junho!

    já o halloween veio de uma tradição dos povos celtas, que comemoravam o fim do outono e o início do inverno no hemisfério norte entre 31 de outubro e 02 de novembro. a palavra halloween vem de “hallow evening”. “hallow”, em tradução literal p/ o português é reverenciar, e “hallowed” numa versão brasileira, significa santificar, glorificar”, ou seja, era uma glorificação à noite, pois no hemisfério norte nesse periodo, como ja dito, o inicio do inverno, e consequentemente de noites mais longas que o dia. sendo assim, os celtas faziam um festival pra reverenciar a noite.
    a igreja católica romana, mais uma vez usando de seu poder e influência política, mais uma vez deu um jeito de eliminar essa cultura, inventando o dia 1 de novembro como o “dia de todos os santos”.

    e por fim chegamos aos nossos tempos, onde natal, festa junina, páscoa (que tb era uma celebração dos povos europeus pré cristãos) e halloween viraram reles momentos de exacerbação do consumismo, de coisas supérfluas e sem conteúdo.

    na minha opinião, halloween e natal nao tem nada a ver com a cultura brasileira, pois descendemos dos povos latinos na grande maioria. halloween e natal vieram das tradições anglo-saxônicas e celtas, oriundas do hemisfério norte e nao do hemisfério sul, onde vivemos e tampouco da cultura latina. enfim, hoje é tudo uma questão de consumo.

    nossa, quanta iconoclastia! haha!

    • Debora Wolf disse:

      A minha tia quando alguém bate na porta pedindo doces, ela explica tudo isso para a criança e não dá. Acho bobagem, pois uma criança de 5 anos nada entende sobre cultura, ele apenas imita os coleguinhas.

    • Debora Wolf disse:

      Ah! Eu tenho descendencia anglo-saxã! hahaha

      Wolf é um sobrenome anglo-saxão

  2. Mr. Mojo Risin disse:

    achei que fosse germânico.

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